Cartão Alimentação Escolar foi criado para substituir merenda escolar de todas as escolas estaduais de Rondônia

A Pandemia desolou muitas famílias e gerou muitas mudanças emergenciais em processos, antes, solidificados. Para não interromper o programa de alimentação escolar – servido em forma de merendas nas escolas estaduais – o Governo do Estado de Rondônia foi ao mercado buscar uma solução para substituir a merenda e mantivesse a alimentação in natura para os alunos da rede pública.

Concorrendo com mais de 230 projetos inscritos e batendo de frente com gigantes como Banco do Brasil, Santander e Bradesco, a fintech do oeste do Paraná venceu a categoria Mitigação dos Impactos da Pandemia.  Em sua 17ª edição, o Prêmio Relatório Bancário – agora chamado Prêmio Banking Transformation – prestigiou iniciativas transformadoras do setor financeiro nacional.

A cerimônia que revelou o Cartão Alimentação Escolar como o ganhador foi realizada na última segunda-feira, em São Paulo, cidade sede dos organizadores do prêmio que busca promover, incentivar e valorizar as principais iniciativas e melhores casos das instituições financeiras, contribuindo para o aprimoramento do setor e reconhecendo aquelas que se destacam em suas categorias.

Com sua base em Cascavel, mas com operação em todo território nacional, a Eucard (fintech de meios de pagamento) apresentou uma proposta de programa que utiliza cartões (como um cartão de débito) e foi escolhida para ser a ferramenta, da secretaria de educação daquele estado, que manteria a alimentação das crianças rondonienses.

“Eu gostaria de dizer que foram meses trabalhando para desenvolver o melhor formato, a melhor logística, a melhor entrega, mas não! Em poucas semanas já tínhamos imprimido cerca de 40 mil cartões, ativado uma logística envolvendo transporte rodoviário, distribuição municipal e start da tecnologia”, comentou o CEO da fintech cascavelense Jaime Agostinho.

Com o apoio da Secretaria de Estado de Educação de Rondônia (Seduc), finalizado o processo burocrático para liberação desses, deu-se início aos procedimentos de entrega do vale-alimentação escolar aos alunos de todo estado.

Em Rondônia, a suspensão atingiu mais de 170 mil alunos da rede pública estadual, que estão sem aulas desde o dia 17 de março. Conforme informado pela secretaria, os cartões serão fornecidos justamente para compensar a suspensão da merenda das crianças.

Cada família recebeu um cartão por filho matriculado, com o valor de R$ 75,00 que pôde ser gasto apenas na rede credenciada. A mecânica dos cartões de pagamento ficou a cargo da Eucard Cartões por meio de sua filial de Rondônia, que, aliás, atua há vários anos no estado.

A partir do dia 15 de maio de 2020, os Cartões Alimentação Escolar foram distribuídos para os coordenadores Regionais de Educação (CREs) em mais de 50 municípios.

Solução desenvolvida 

“Nosso time de logística e tecnologia criou uma Squad dedicada para atuar nessa necessidade”, comentou o gerente de T.I. (Scrum Master da Squad de T.I.), Sérgio Zanollo. A empresa precisou ampliar, significativamente, a rede credenciada em todo estado (inclusive para atender tribos indígenas). Segundo Zanollo “foi criado um produto (um cartão) que atuasse dentro das exigências nutricionais da Merenda Escolar, ou seja, só era possível utilizá-lo para alimentação das famílias, em estabelecimentos que não desvirtuassem o propósito do programa”.

Para logística foi envolvida uma grande empresa de transportes e um time local “para sermos assertivos na rápida distribuição desses cartões”, completou o gerente de TI.

Para locais de difícil integração do sistema de cobranças da Eucard foram desenvolvidas opções de pagamento por QR Code e transação Web, “assim, não tiveram amarras quanto à sistemas de pagamento X ou Y dos estabelecimentos”, finalizou. 

Resultados Alcançados

Conforme conta o gerente de Marketing e Scrum Master das Squads de Mercado e Clientes, da Eucard, Alexandre Minghini, “em oito meses de operação conseguimos impactar positivamente quase 170 mil alunos, ou 44 mil famílias e o mercado local, afinal, essa ação do governo gerou renda e impediu que o comércio vivesse um cenário ainda pior”.

Dentre as regras do programa era preciso credenciar e movimentar a economia em pelo menos um estabelecimento por cidade, onde residissem alunos.  Lembrando que crianças indígenas estudavam nos municípios, mas residiam em tribos afastadas – foram mais de 3 mil indígenas atendidos).

“Vale lembrar que tivemos um cuidado para credenciar estabelecimentos que precisavam muito desse movimento em seu caixa”, comentou Minghini e completou dizendo que “foi difícil equilibrar pratos, compramos algumas brigas, mas a ideia era trazer aquele mercadinho, bazar, lojinha que sabíamos que esse dinheiro significaria salvar o empresário”.

“O projeto foi tão importante que em 2021, ano seguinte a sua implementação, conseguimos que fosse renovado, quase que automaticamente”, concluiu Jaime Agostinho.